Hoje, o relógio de pulso é um objeto tão comum que dificilmente pensamos na sua origem. Mas a história deste pequeno acessório é bastante mais antiga do que poderíamos imaginar.
A resposta não é tão simples quanto indicar uma data. Existem referências a relógios usados no pulso desde o século XVI, mas não existe um exemplar que seja universalmente reconhecido como “o primeiro relógio de pulso da história”.
O que sabemos é que, ao longo de vários séculos, o relógio passou de um objeto raro e associado à joalharia para uma ferramenta prática, até se tornar num dos acessórios mais populares do mundo.
Muito antes de o relógio de pulso se tornar um objeto quotidiano, já existiam relógios concebidos ou adaptados para serem usados no braço.
Há referências históricas que remontam ao século XVI, incluindo um relógio descrito como um “arm watch” oferecido a Elizabeth I em 1571. No entanto, estes primeiros exemplos devem ser entendidos no contexto da joalharia da época e não como equivalentes diretos aos relógios de pulso modernos.
Durante muito tempo, um relógio usado no pulso era essencialmente uma peça de luxo. Os relógios eram pequenos, delicados e caros, e a sua utilização estava frequentemente associada a mulheres da aristocracia e a peças de joalharia.
Um dos episódios mais importantes desta história aconteceu no início do século XIX.
Em 1810, Abraham-Louis Breguet recebeu uma encomenda de Caroline Murat, Rainha de Nápoles, para criar um relógio que pudesse ser usado no pulso.
O registo da encomenda, datado de 8 de junho de 1810, descreve um “repeater watch for bracelet”. Breguet desenvolveu então o relógio nº 2639, um relógio de repetição extremamente fino, montado numa bracelete de cabelo e fios de ouro. A peça é considerada pela própria Breguet como o primeiro relógio de pulso conhecido, embora a discussão histórica sobre o tema continue.
Este episódio é importante porque mostra que, já nessa altura, existia a ideia de criar um relógio especificamente pensado para ser usado no pulso.
Algumas décadas mais tarde surge outro marco fundamental.
Em 1868, a Patek Philippe criou um relógio para ser usado no pulso pela condessa Koscowicz, da Hungria. O exemplar encontra-se atualmente no Museu Patek Philippe, em Genebra.
A própria Patek Philippe identifica esta peça como o primeiro relógio de pulso suiço. O relógio já apresentava elementos que se aproximam bastante do conceito moderno: o mecanismo estava integrado numa caixa com elementos de ligação à bracelete.
Por isso, quando se fala no “primeiro relógio de pulso”, 1868 é frequentemente apontado como uma data de referência, embora não seja correto afirmar simplesmente que foi o primeiro relógio de pulso alguma vez criado.
Apesar destes exemplos, o relógio de pulso demorou a tornar-se um objeto verdadeiramente popular.
Foi sobretudo no final do século XIX que começaram a aparecer os chamados wristlets ou relógios de pulso modernos. Na década de 1880, mulheres na Europa e em Inglaterra usavam pequenos relógios presos a braceletes, nomeadamente durante atividades ao ar livre como equitação, caça e ciclismo.
Para os homens, a situação era diferente. O relógio de bolso continuava a ser a escolha habitual e um relógio usado no pulso era frequentemente associado à joalharia feminina. Essa perceção começou a mudar quando a praticidade do relógio de pulso se tornou evidente.
A Primeira Guerra Mundial foi um dos grandes pontos de viragem na história do relógio de pulso.
Para os soldados, consultar rapidamente as horas podia ser muito mais prático do que retirar um relógio do bolso. Alguns militares começaram inclusivamente por adaptar relógios de bolso, prendendo-os ao pulso ou ao uniforme.
À medida que a guerra avançou, os relógios de pulso tornaram-se cada vez mais comuns entre os militares. Durante a guerra, passaram a ser praticamente omnipresentes entre os soldados masculinos. A vantagem era simples: permitiam consultar as horas de forma rápida, mantendo as mãos livres.
Depois da guerra, esta associação entre relógio de pulso, praticidade e eficiência ajudou a transformar a perceção masculina do acessório. O que antes podia ser visto como uma peça de joalharia passou a ser também uma ferramenta útil.
A partir daí, a evolução foi rápida.
Os fabricantes desenvolveram relógios mais resistentes, precisos e variados. O relógio de pulso deixou progressivamente de ser uma novidade para se tornar parte do vestuário quotidiano.
Surgiram diferentes formas, materiais e mecanismos. O relógio passou a acompanhar diferentes estilos de vida e tornou-se simultaneamente instrumento, acessório e símbolo de personalidade. E, apesar da evolução tecnológica, essa característica mantém-se até hoje.
Não existe uma resposta única.
Há referências muito antigas a relógios usados no pulso, existem exemplos documentados como o de Breguet para a Rainha de Nápoles em 1810 e o relógio da Patek Philippe de 1868, e foi sobretudo no final do século XIX e início do século XX que o relógio de pulso começou a aproximar-se do formato e utilização que conhecemos atualmente.
A Primeira Guerra Mundial acabaria por acelerar decisivamente a sua popularização, transformando-o de acessório de luxo numa ferramenta prática e, posteriormente, num objeto do quotidiano.
Hoje, podemos consultar as horas num smartphone, computador ou smartwatch. Ainda assim, o relógio clássico continua a ter um lugar próprio. Porque um relógio de pulso não serve apenas para medir o tempo.
É também uma peça de relojoaria, um acessório e, muitas vezes, uma história que levamos connosco.